sexta-feira, abril 01, 2011

A Hipótese de Bruna - ou Da Função Social da Prostituição

Bem mais bonita que a real. Mas não está disponível.
"Eu não pago para fazer sexo com uma mulher. Eu pago para ela ir embora depois." Jack Nicholson


Bruna Surfistinha é um bom filme mas não vou aqui escrever uma crítica. O que me deixou pensando foi uma coisa que Bruna diz no filme: "já salvei muitos casamentos."
Será? A lógica é algo do tipo: em vez de trair a parceira com outra pessoa "normal" ou acabar um relacionamento por falta de "variação", tédio ou o que seja, o homem busca a profissional, que satisfaz o desejo sem complicações. O homem não precisa se esforçar nem se preocupar com uma ligação emocional e a mulher não corre o risco de perder seu homem para outra mulher. Bom, Raquel pode ter salvo vários casamentos, mas pelo menos um ela não salvou: o casamento do ex-cliente que se separou de sua mulher para ficar com Bruna.

Essa lógica me fez lembrar de uma tarde que passei com amigos num café elaborando um audacioso business plan para um negócio de alto potencial. O nome da corporação seria SPF, Serviço de Proteção à Família. Essa corporação, ou Clube de Relacionamento como preferimos chamar, ofereceria um nível de serviço nunca visto no setor do entretenimento masculino adulto. Nosso SPF seria o iPhone desse mercado: algo que estaria anos-luz a frente da concorrência. Os planos não prosperaram além daquela tarde, mas certamente conseguimos espantar vários clientes da Starbucks que estavam ao nosso lado. Tudo começou com uma brincadeira, mas ao final da conversa estávamos elaborando a mecânica do Programa de Fidelidade. Ou talvez fosse o primeiro Programa de Infidelidade do mundo.

Mas afinal, a afirmação de Bruna faz sentido? Para resolver a questão, podemos imaginar um experimento para verificar cientificamente se prostitutas atuam como um SPF, salvando relacionamentos do desastre. Bastaria pegar 2 grupos de homens e acompanhar suas vidas durante alguns anos. É um estudo muito comum na área da saúde e o nome técnico é estudo longitudinal. Um grupo faria uso constante dos SPF, e os outros não fariam (sim, existem e são a maioria). Se a hipótese do SPF estiver certa, o grupo de usuários dos serviços teria uma taxa menor de divórcios e/ou menos conflitos com parceiras. Por motivos óbvios, dificilmente este estudo existirá (e se existir, gostaria de investigar a fundo o método de coleta de dados).

Como não temos dados, cada um fica com sua teoria por hora. Mas digamos que em alguns casos, o uso de SPF pudesse teoricamente ajudar a "salvar" ou manter relacionamentos. Ora, se o preço de manter um relacionamento é ter de fazer sexo com prostitutas, vale a pena manter esse relacionamento? Suponho que a maioria das mulheres responderia não, mas o mundo não é feito de teorias e sim de uma confusão incrível de desejos, conflitos, dilemas, paradoxos e por aí vai. A velha história de que na prática, a teoria é outra. De forma geral, creio que o furo é bem mais em cima. No cérebro, o verdadeiro órgão sexual.

O que não precisa de estudo para se comprovar* é o fato de que as profissionais do sexo de hoje enfrentam uma concorrência nunca vista na história da humanidade. De onde vem essa concorrência? Mulheres que fazem sexo sem cobrar. Ou seja, a maioria. A revolução dos costumes facilitou muito a ocorrência do sexo antes do casamento, sexo casual, em série, em paralelo, em cima, embaixo, de lado, etc.... Aliás, a expressão "sexo casual" foi criada há apenas algumas décadas atrás.
Ainda assim, essa concorrência dificilmente levará à falência dos SPFs. Enquanto os homens forem menos seletivos e desejarem mais sexo do que as mulheres, este mercado existirá. Ou seja, para sempre.

*Se você não acredita, leia o primeiro capítulo do livro Super Freakonomics, que traz justamente um estudo interessantíssimo sobre a prosituição.

2 comentários:

Anônimo disse...

Oii, gostei do artigo...
Podia ser realizado esse projeto de pesquisa hein...
Só que, claro, com mais complexidade, como por exemplo, as motivações que levam à cometer o adultério dentro do casamento, etc.

Anônimo disse...

"...A maioria das mulheres fazem sexo sem cobrar..." Se a gente, homem não se dispõe a ser o provedor, ou seja assumir a comanda do restaurante pra si pagando-a sozinho, igualmente com o cinema, o motel..., levar e trazer a princesa de carro pra casa (gasolina a R$3,50 o litro, estacionamento...), que mulher que voltaria a sair novamente com a gente? Na prática são poucas, é só perguntar pros homens ou pras amigas que vai comprovar isso... no entanto, não tem muito essa de sexo "de graça"... digamos que não é uma prostituição escancarada, direta, mas não deixa de ser uma prostituição indireta.
Em boa parte das vezes, nós homens gastamos até muito mais que um programa com uma prostituta oficial com uma mulher comum pra obter sexo, às vezes a prostituta oficial é muito mais vantajosa... não dá piti, não fica discutindo a relação, fazendo doce ou então com mil exigências pra ir pra cama com a gente.
Quantos maridos vão pro sofá por causa de coisas bobas até... a mulher faz greve de sexo como mecanismo de barganha e pressão pra ele comer na mão dela... nessas a prostituta oficial evita que a mulher seja trocada por outra, o cara sai com ela, descarrega sua energia sexual e volta pra esposa...